terça-feira, 28 de outubro de 2014

Não se sente num Banco

A minha crónica desta noite é curta.Como um banco.
Os tempos difíceis que atravessamos desde há algum tempo a esta parte têm-nos deixado fragilizados económica e moralmente. Mas tal não é sinónimo de inércia ou indiferença. O tempo "dos pobretes mas alegretes" não pode, de modo algum, voltar. 
Ora bem, os Bancos , os do dinheiro, andam a braços com uma maré de naufrágios e afogamentos e querem nadar para terreno seco em busca da segurança financeira que já tiveram. Para isso não olham a meios. Sacrificam os pobres, a quem outrora sorriram servilmente, em prol dos endinheirados de fachada., que devem e roubam milhões.
Resume-se a minha mal amanhada prosa a isto: um banco telefona a um fiador a exigir o pagamento de uma prestação para habitação porque a conta está a descoberto na importância de 2 euros e 40 cêntimos! Para completar a comédia acresce dizer que todas as prestações foram pagas em tempo útil, não havendo no processo qualquer atraso. 
É um desabafo. É uma perspetiva. Acontece. Quem deve tem de andar atento. Poderiam ser estes os comentários possíveis à situação. Poderiam. Mas que é o retrato mais real do momento de desnorteio da banca, é.

sábado, 11 de outubro de 2014

Todos os Nomes

A minha crónica de hoje é a reprodução de um texto sobre o conceito de Nome. Encontrei-o numa página de uma rede social. É um pouco longo mas merece a pena fixar neste humilde espaço.


A palavra nome deriva do latim nomen, do verbo noscere ou gnoscere (conhecer ou ser conhecido). O nome é o sinal que caracteriza o indivíduo na família e na sociedade e o diferencia, ao lado de outros elementos de individualização, dos demais membros do grupo.
"Quando pronunciamos, ou ouvimos um nome, transmitimos ou recebemos, um conjunto de sons, que desperta no nosso espírito, e no de outrem, a idéia da pessoa indicada, com os seus atributos físicos, morais, jurídicos, económicos, etc. Por isso, é lícito afirmar que constitui o nome a mais simples, a mais geral e a mais prática forma de identificação". (Vampré:1935: 38)
O emprego do nome vem dos primórdios da humanidade, atendendo tanto ao interesse do indivíduo como ao da sociedade.
A conclusão dos cientistas, mestres da Sociologia, da História e do Direito, aponta que as origens do nome atribuído aos indivíduos confundem-se com as origens do homem.
Planiol, afirma que o nome entre os povos primitivos era único e individual; um só vocábulo designava as pessoas, que não os transmitiam aos seus descendentes. À medida que as pequenas comunidades sociais foram aumentando e as relações entre os indivíduos se tornaram mais complexas, foi necessário complementar o nome individual por restritivos que melhor caracterizassem o sujeito.
Entre os hebreus, em princípio, usava-se apenas um nome: ‘Sther (Ester), Rakhel (Raquel), David (Davi). Com o crescimento e a multiplicação das tribos, (surgindo muitos indivíduos), passaram a distingui-los com a indicação do respectivo progenitor: José Bar-Jacob ou José filho de Jacob. Igualmente, os nomes Bartimeu, Bartolomeu e Barrabás indicam, respectivamente, filho de Timeu, filho de Tolomeu e filho de Abas.
No Novo Testamento, na indicação dos apóstolos, encontramos Jacobus Zebedaei (Tiago de Zebedeu, filho de Zebedeu) e Pedro, Simão bar Iona (Simão, filho de Jonas).
Esse sistema também foi adoptado pelos árabes, que empregam a palavra ben, beni ou ibn, como se vê em Ali Ben Mustafá (Ali, filho de Mustafá), Faiçal ibn Saud (Faiçal, filho de Saud). Da mesma forma o costume dos russos, com as partículas vitch ou vicz para os homens e ovna para as mulheres: Nicolau, filho de Alexandre, é chamado de Nicolau Alexandrovitc e Catarina, filha de Pedro, chama-se Catarina Petrovna. Os romenos usam a partícula esco: Filipesco, Popesco; os ingleses acresciam a partícula son: Johnson, Nelson, Stevenson, Richardson, Stephenson. Outras partículas, que no português se assemelham a de, moço, filho, júnior, podemos citar: mac, costume irlandês e escocês; von, germânico; ski, polonês.
Os romanos aplicavam um sistema mais complexo, distinguindo, no nome completo, quatro elementos: o nomen, o praenomen, o cognomen e o agnomen. O nomen ou gentilício era o patronímico que designava os membros da gens (família). Logo, todos os que faziam parte da gens Cornelia se chamavam Cornelius. O praenomen, por sua vez, era o nome próprio, que identificava cada um dos membros da família.
O cognomen distinguia cada um dos ramos da gens. Logo, na gens Cornelia, destacava-se a família Scipio. Já o agnomen era um sobrenome individual e correspondia a facto notável da vida do possuidor. Exemplo clássico é o de Publius Cornelius Scipio, cujo agnomen era Africanus (Cipião, o Africano, que venceu o exército de Aníbal na 2ª guerra púnica).
Os estudiosos acreditam que esse sistema vigorou na Lusitânia – parte da península ibérica conquistada pelos romanos – até à invasão dos godos. Posteriormente passou-se a adoptar o nome de santos ou do padrinho, no acto do baptismo, donde o costume de chamar o nome  próprio de nome de baptismo. Mais tarde, nas famílias nobres, acresceu-se ao nome próprio o nome do progenitor: Afonso Henriques, filho de Henrique, Afonso Sanches, filho de Sancho, Lourenço Marques, filho de Marcos. Assim, os filhos de Nuno, Mendo, Gonçalo, Rodrigo, Pero, Fernando, Estêvão e Lopo chamavam-se, respectivamente, Nunes, Mendes, Gonçalves, Rodrigues, Peres, Fernandes, Esteves e Lopes.
Entre os plebeus de então e também dos cristãos-novos – judeus convertidos ao cristianismo por imposição do Rei de Portugal com ameaça de submetê-los à Inquisição e ao Santo Ofício - era o de acrescentar ao nome próprio, distintivos como nomes de árvores (Pinheiro, Laranjeira, Nogueira, Pereira, Macieira, Oliveira, Carvalho), de animais (Coelho, Barata, Cordeiro, Falcão, Carneiro, Lobo), de país (França), por características físicas (Belo, Barbudo, Bonito, Moreno, Feio, Vermelho, Branco, Gordo, Fortes, Direito, Rosado), de cidades (Lisboa, Porto, Toledo, Miranda, Navarro, Braga, Lamego, Abrantes, Coimbra), lugares (Campos, Jardim, Rios, Prado, Fonte Seca – Fonseca -, Vale, Lago, Monte) e de profissões (Ferreiro, Bispo, Guerreiro, Pastor). Essas alcunhas, transmitidas hereditariamente, foram paulatinamente convertendo-se em patronímicos, como hoje conhecemos.
Na idade média era comum também algumas famílias adoptarem sobrenomes de origem religiosa, na esperança de que estes nomes trouxessem saúde e prosperidade, além de afirmarem as suas posições como bons cristãos: Cruz, Santos, de Jesus.
Outras heranças onomásticas foram legadas de culturas do passado, como do latim: Antum (Antão), Anton (Antonio) e Antonius (Antonino), Benedictus (Benedito, Benito, Bento), Celestinus (Celestino), Clementinus (Clemente, Clementino), Lucius (Lúcio), Rufinus (Rufino); do grego:Athanasios (Atanásio), Nikolas (Nicolau), Estephanos (Estêvão), Chrysostomos (Crisóstomo), Andres (André); do hebraico: Hadad (Ada), Adoni Iah (Adonias), Dalilah (Dalila), Dani El (Daniel), Iehokhanan (João), Iehussef (José), Mátniah (Mateus), Miryam (Maria).
Existem e existiram alguns nomes estranhos ou pelo menos diferentes, nada comuns, que poderiam ser admitidos como aqueles que expõem o seu portador ao ridículo: Nacional Futuro da Pátria Provisório, Oceano Atlântico Linhares, Pedro Bispo Cardeal, Céu Azul de Castro Feijó, Américo Cesar de Almeida Cento-e-Três, Olindo Barba de Jesus, Crepúsculo dos Deuses Rodrigues, Antonio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado, Céu Azul do Sol Poente, Joaquim Pinto Molhadinho, Antonio Carnaval Quaresma, Sebastião Salgado Doce, Antonio Noites e Dias... O Direito Romano adoptava o princípio da mutabilidade (Rerum enim vocabula immutabilia sunt, homimum mutabilia = porque os nomes das coisas são imutáveis, os dos homens, não), ou seja, as mudanças de nome eram livres salvo quando motivadas por alguma intenção fraudulenta. A tradição romana permaneceu durante a Idade Média, quando prevaleceu, como dito alhures, o sistema do nome único individual e, de modo geral, permitia-se a mudança.
A primeira legislação a impedir a mudança do nome foi a Ordenança de Amboise (1555). Na evolução subsequente o interesse público determinaria a estabilização do nome. Como marcos significativos refere-se, em França, cujo papel foi liderante, durante muito tempo, neste domínio, a Ordenança de Amboise, de 26 Mar. 1555, sob Henrique II, que proibiu a mudança de nome sem carta de dispensa e o Decreto da Convenção de 23 Ago. 1794, que revogando um decreto anterior que autorizava cada um a usar o nome que entendesse, proibiu o uso de nomes diversos dos resultantes do acto de nascimento. Anteriormente, um Decreto de 20 Set. 1792 veio fixar “o modo de constatar o estado civil dos cidadãos”, no que pode ser considerado como um primeiro embrião de registo civil. O Decreto de Fructidor II obrigou a que se usasse sempre e apenas o nome e o apelido constantes do acto de nascimento. A cúpula ficou completa com o Decreto de Germinal XI: admitia-se a mudança de nome, mas só com autorização do Governo. Estava consumado o controlo do Estado sobre o nome.

Conclui-se, sem maior esforço, a relevância do nome na vida humana. Tão importante o nome que até os objectos, os animais, as empresas, as ruas, o possuem. Sempre que conhecemos alguém, a primeira palavra que ouvimos é o seu nome. Todas as vezes que efectuamos uma chamada telefónica perguntamos o nome da pessoa que atende. Quando preenchemos uma ficha de inscrição, pesquisamos informações em órgãos públicos, a primeira pergunta é: qual o teu nome? Isso porque, como já dito, o nome é o sinal que identifica e individualiza a pessoa na sociedade e na família, constituindo direito da pessoa. Ele praticamente nasce com a pessoa e a acompanha durante toda a vida. Não se extingue com a morte. Pelo contrário: permanece vivo na memória daqueles que a conheceram. Sempre pelo nome o extinto será lembrado.
Como disse Goethe: "O nome de um homem não é como uma capa que lhe está sobre os ombros, pendente, e que pode ser tirada ou arrancada a bel prazer, mas uma peça de vestuário perfeitamente adaptada ou, como a pele, que cresceu junto com ele; ela não pode ser arrancada sem causar dor também ao homem".



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Músicas da Vida

Essa ideia de fazer uma lista de músicas prontinhas a ajudar os alunos a ter melhores notas não é má de todo. 
Quando era adolescente, o radiozinho de pilhas era o meu fiel companheiro das tardes de estudo, debitando melodias de paixão para os registos no caderno ou ritmos avassaladores para os exercícios de aplicação. A revisão das matérias para os testes do dia seguinte era enquadrada num Mozart ou Débussy, generosamente oferecidos pela Emissora Nacional. Nem concebia estudar sem música!
A ideia velha rejuvenesceu e atualizou-se. Uma psicóloga britânica juntou-se à spotify para criar a tal lista: músicas para o começo do dia, com várias batidas, alegre o suficiente de modo a acordar devidamente e encarar as aulas com o espírito de conquistador; músicas para a hora do almoço, electrónica de preferência, tendo em vista a libertação das energias acumuladas ou atrofiadas na sala de aula e auxiliar na digestão; música mais geral para compor o estudo de tarde; as baladas e afins embalarão o jovem num sono tranquilo e reparador. Genial!
Podemos contar daqui para a frente com gerações aplicadas e firmemente cientes da importância da Escola e da Música.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Filmes da Vida

Acabei ainda há pouco de ver o filme " As Serviçais". Tarde de repouso, lembrei-me de uma modernice cá de casa e fui revirar a caixa à procura de qualquer coisa. Dei com o filme.
Tocou-me muito, este filme, por várias razões: a perspetiva do narrador, o contexto político e social, as relações humanas.Normalmente, a História escreve-se do ponto de vista de quem domina, mas as histórias dessa História têm outra cor e movimento quando vistos pelos olhos de quem é dominado. Aqui fere muito o separatismo racial da América dos anos 60. Não só pelos grandes traços - acessibilidades, educação, trabalho - mas, e sobretudo, pelas pequenas coisas do dia a dia, como por exemplo o uso da casa de banho pelas criadas na casa dos patrões ou  o amor incondicional das criadas de bebés brancos que raramente tinha retorno em anos posteriores. Comovente, o medo de falar, de contar cada história individual, mas que se transforma no motor da luta pelos direitos cívicos, o direito de ser tratado como gente.
A América, senhora do Mundo, não consegue apagar do seu passado, e até mesmo do seu presente, esta contradição e ironia: primeira defensora dos direitos dos Homens através de uma Constituição única, ela ainda pensa a preto e branco.

domingo, 1 de junho de 2014

Valha-nos a Santa

Cada vez percebo menos. Ganharam e mesmo assim abrem um buraco no partido, com estratégias inusitadas, acusações de primárias e ameaças de mudança não se sabe bem de quê... Valha-nos a Santa!


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Em Todos Menos Nestes

Domingo é Dia de São Votar. Feitos os sacrifícios de os ouvir e as penitências por votarmos confiadamente na defesa dos nossos interesses, iremos em romaria à urna mais próxima comungar das ilusões e das esperanças que ainda temos de que o nosso voto conte para alguma coisa que nos traga benefício, a curto e a médio prazo. Nesta Europa a que pertencemos mas que não é nossa.
O poeta Joaquim Pessoa dá-nos uma ajuda no enquadramento da nossa intenção de escolha:

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Casamento da Culpa

Encontrei estes versos num comentário do face e não resisti. A Culpa, coitada, bem quer morrer solteira mas não a deixam. Tantos pretendentes, incluindo cada um de nós. Todos somos culpados de alguma coisa, quanto mais não seja de não termos culpa de coisa alguma...
Na minha profissão, então,é ver quem atira mais culpas em modo olímpico: mais alto, mais forte, mais longe. E a maior parte das vezes é tão simples de ver que a culpa está tão somente em nós próprios. Pequenez, arrogância, acriticismo, (sei lá!), tolda-nos a perspetiva e a cor da realidade.

A culpa é do pólen dos pinheiros
Dos juízes, padres e mineiros
Dos turistas que vagueiam nas ruas
Das 'strippers' que nunca se põem nuas.

Da encefalopatia espongiforme bovina
Do Júlio de Matos, do João e da Catarina
A culpa é dos frangos que têm HN1
E dos pobres que já não têm nenhum.

A culpa é das prostitutas que não pagam impostos
Que deviam ser pagos também pelos mortos
A culpa é dos reformados e desempregados
Cambada de malandros feios, excomungados.

A culpa é dos que têm uma vida sã
E da ociosa Eva que comeu a maçã
A culpa é do Eusébio, que já não joga a bola,
E daqueles que não batem bem da tola.

A culpa é dos putos da casa Pia
Que mentem de noite e de dia
A culpa é dos traidores que emigram
E dos patriotas que ficam e mendigam.

A culpa é do Partido Social Democrata
E de todos aqueles que usam gravata
A culpa é do BE, do CDS, do PS e do PCP
E dos que não querem o TGV.

A culpa até pode ser do urso que hiberna
Mas não será nunca de quem nos governa

domingo, 4 de maio de 2014

Dia da Mãe

Quando Eu For Pequeno  

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos 

e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Páscoa

Ainda não consegui perceber se é a vida que é complicada, se nós é que somos uns complicadinhos. O bendito do Face oferece-me em cada visita uma panóplia de sentenças para reflectir sobre este tema - a Complicação da Vida e dos Homens, mas, com toda a franqueza, até eu cheguei à maior parte dessas conclusões reflexivas. Falar é fácil, e o passo para a prática é muito largo. Eu bem tento. Resta-me a religião. Falo com Deus, com o Seu bem-amado Filho, partilho dúvidas e questões, e lá vou encontrando alguns passos na areia que me restituem a confiança e me abrem mais uma janela ou porta. Cada um acha o seu fardo mais pesado do que o do vizinho, mas quem pode segurar a balança?

da net
CRUCIFIXO

«Minha mãe, quem é aquele
Pregado naquela cruz?
- Aquele, filho, é Jesus...
É a santa imagem dele!

«E quem é Jesus? – É Deus!
«E quem é Deus? – Quem nos cria,
Quem nos manda a luz do dia
E fez a terra e os céus;

E veio ensinar à gente
Que todos somos irmãos,
E devemos dar as mãos
Uns aos outros irmãmente:

Todo amor, todo bondade!
«E morreu? – Para mostrar
Que a gente pela Verdade
Se deve deixar matar.

João de Deus

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Interesses

Descobri uma boa terapia para ocupar o cérebro: dediquei-me à genealogia. É bom, faz bem e aprende-se imenso.
Já há muito que tinha este bichinho de vasculhar o passado da minha família e, de vez em quando, lançava-me à procura de uma ou outra informação. Mas agora é mais a sério. Tenho lido coisas sobre o assunto, tenho aprendido os procedimentos e cá vou ocupando algumas horas livres com leituras de Livros Paroquiais, onde estão descritos os registos dos nascimentos, casamentos e óbitos. Não é tarefa fácil e há que ter muita paciência: informações precisas, informações confusas, avanços, recuos. 
Pode parecer antiquado, monótono até. Mas não. É uma forma intensa de viajar pelas palavras, pelas expressões, pelos nomes e profissões. Liberta da canseira diária da casa e do trabalho, do stress das notícias televisivas, esmiuçadas até à exaustão, do desespero das consequências dos atos dos governantes políticos.

Há muito tempo que aqui não vinha, quase um ano. Já cheirava a mofo. Por isso abri as janelas, sacudi as cortinas e os tapetes e dei-lhe um ar diferente.
Só me falta escolher o tecido para as almofadas. Para condizer com o meu novo interesse.

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