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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Tempos Difíceis

 Desde há dois anos que andamos em sobressalto. 

Primeiro foi a pandemia que virou a nossa do avesso. E, apesar dos arco-íris do "Vai ficar tudo bem", a verdade é que as nossas rotinas e hábitos foram configurados para um antes de e um depois de. 

O início de 2022 trouxe alguma acalmia. Mas em fevereiro chegou a guerra. No tempo de vida da Europa unida, nunca tinha havido uma guerra tão chegada às suas fronteiras externas. 

E a nossa vida tornou a guinar. Instalou-se a crise energética. Dispararam os preços de tudo e de mais alguma coisa. Para compor o cenário catastrófico, ronda a ameaça da agudização do conflito com o recurso ao armamento nuclear.

Ora bolas! A década de 20 deste século ainda criança começou bem e ... não se recomenda.

Uma guerra não contempla vencedores ou vencidos em termos de sofrimento, dor e perda. Os mortos civis têm pai, mãe e filhos, e os mortos militares também. Qualquer que seja a nossa perspetiva ou opinião sobre as causas, fundamentos e argumentos dos interventores, não podemos nem devemos perder de vista que em ambos os lados há tragédias.

Erich Marie Remarque plasmou no livro "A Oeste Nada de Novo" o desencanto dos jovens recrutas imbuídos de patriotismo perante a realidade da frente de batalha.

Aqui deixo a leitura do início da obra.


quarta-feira, 2 de março de 2022

Em Suspenso

 


 Nestes últimos dias, andamos em bicos de pés. Não porque queiramos ser silenciosos mas porque estamos em suspensão.

Dois anos de pandemia, entre confinamentos, estados de emergência, ondas de grandes números e abrandamentos, orientaram os nossos passos, as nossas profissões, as nossas vidas. Ficámos suspensos do alívio das restrições, da inevitabilidade de apanharmos o vírus e da dúvida do 'será que acabou?'

Nesta maré de perspetivas, eis que o mundo se confronta com a insanidade de um líder político. Conflitos antigos desaguaram numa invasão de território, de fuga das populações, de convergência de atitudes das nações.

Vladimyr Putin, o todo poderoso russo, diz que a Ucrânia não é um país, não tem história e que só existe porque é um produto russo. Lesinsky, o presidente ucraniano eleito democraticamente pelos seus conterrâneos, reivindica a liberdade de ser um país democrata e pensar pela sua cabeça. 

Começou a lavra de um insano político e a defesa da colheita  de um jovem chegado à política há pouco tempo mas carregado de vontade própria.

A incursão planeada para durar 3, 4 dias, 5 no máximo, encontrou uma resistência popular e uma ajuda europeia nunca vistas.

Estamos em suspenso. Para dar um fim à guerra, o insano russo carregará no botão nuclear? Passaremos de espectadores ansiosos a vítimas sem esperança?

 


 



quinta-feira, 2 de julho de 2009

Os Deuses-artistas

Foi uma semana e tanto! Trabalho, notícias, notícias, trabalho!
Dois artistas morreram no mesmo dia, mas o alarido da sua morte foi proporcional ao ruído que provocaram em vida.
Uma viveu publicamente a doença, partilhou dores e sofrimentos e, quando chegou ao fim da sua passagem por esta vida, despediu-se da família e abalou, sem parangonas. O outro tapou o rosto com panos, desviou-se do convívio e alimentou a chama de um regresso apoteótico, enquanto driblava a saúde. Confundiu o sempre e o nunca e, numa partida repentina sem despedidas, deixou a porta aberta às suposições e especulações.
Ambos heróis e modelos da juventude de alguém. Ambos figuras reais em desempenhos fictícios, endeusados pelos fãs. Grandezas e misérias atrás de um corpo de sonho ou de um gigantesco talento para a música.
Simples mortais ascenderam às suas respectivas dimensões na imortalidade. RIP.