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terça-feira, 12 de outubro de 2021

Acertos Definitivos

 Ficheiro:Inter-grav.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre

 

Li algures na internet que:

« Em 1582, durante o papado de Gregório XIII (Ugo Boncampagni, 1502-1585), o equinócio da Primavera já estava ocorrendo em 11 de Março, antecipando muito a data da Páscoa. Daí foi deduzido que o ano era mais curto do que 365,25 dias (hoje sabemos que tem 365,242199 dias). Essa diferença atingia 1 dia a cada 128 anos, sendo que nesse ano já completava 10 dias. O papa então introduziu nova reforma no calendário, sob orientação do astrónomo jesuíta alemão Christopher Clavius (1538-1612), para regular a data da Páscoa, instituindo o Calendário Gregoriano.

Essa reforma foi  publicada na bula papal Inter Gravissimas em 24.02.1582, e determinava que fossem tirados 10 dias do ano de 1582, para recolocar o Equinócio da Primavera em 21 de Março. Assim, o dia seguinte a 4 de Outubro de 1582 (quinta-feira) passou a ter a data de 15 de Outubro de 1582 (sexta-feira). »

 

Não sendo nova para mim (e para outros) esta informação, dou comigo a pensar como seria, nos dias que correm, acontecer tal facto.

Provavelmente era o caos, a começar pelas programações das TV's no que a telenovelas diz respeito. Depois seguir-se-iam outras "chatices", nomeadamente, para os aniversariantes desses desaparecidos 10 dias, que ficariam privados das prendas e das festas, já para não falar dos casamentos ou dos divórcios marcados antecipadamente para essa data. E os cheques a descontar nesse intervalo de tempo? Lá se iam os pagamentos e os recebimentos. A falta que esses dez dias nos iriam fazer era qualquer coisa do além!

Só num pormenor estariam na proporção correta: no corte do ordenado - menos dinheiro ficaria a condizer com menos dias de trabalho! É pena que este encurtamento tenha sido há 500 anos e para um mês só.

Há 5oo anos, estas deslavadas linhas estariam a navegar nas profundezas do Tempo, afundando-se na sua não-existência.

  


quarta-feira, 13 de março de 2013

Amor e Fraternidade

"São Francisco de Assis renuncia às riquezas terrenas", por Giotto di
Bondone   Basílica de Assis (Itália)
A alegria com que foi acolhida na Praça de S.Pedro a fumata branca depressa deu lugar a uma ansiedade crescente. No final de uma quinta votação, já se tinham abandonado os nomes dos cardeais papáveis, a maioria fora da curia romana, como era desejável. Então veio a surpresa, anunciada em latim mas compreendida por todos, os que enchiam a Praça e os que se colavam às televisões. O mundo católico atento arrepiou-se perante a escolha de um cardeal argentino para suceder a Bento XVI. Pela primeira vez foi eleito um Papa latino-americano. Fora da curia romana, fora da Europa. Como era desejado.Isto pode querer dizer muito. O novo Papa escolheu um nome nunca antes escolhido, Francisco. E isto pode querer dizer tudo. Jesuita e com um nome destes, junta o carácter missionário e evangelizador ao da humildade e amor ao próximo na sua sua raíz mais chegada ao ensinamento de Cristo. Espera-se, assim, um pontificado de renovação e mudança, e de responsabilidade social para com os mais desfavorecidos. "Amor e Fraternidade" foram as palavras chave do discurso de apresentação de Francisco I na varanda da Basílica de S. Pedro. O Vaticano, enquanto Estado, e a Igreja Católica, enquanto instituição religiosa, atravessam momentos difícieis originados por sucessivos escândalos mundanos, desde a pedofilia à finança, que, de algum modo, têm abalado os católicos e aumentado as críticas aos altos responsáveis da hierarquia e que estiveram na base da resignação de Ratzinger. A escolha deste Papa sul-americano, que pelo que se sabe está habituado a arregaçar as mangas e ir à luta,  pode trazer novos contornos à espiritualidade e à fé, à consciência social e ao diálogo entre os Povos, apelando à fraternidade dentro e fora da Igreja e reforçando o amor em Cristo e na sua doutrina. Pode ser ainda o Homem da Igreja que saiba usar com firmeza o anel de Pedro e as sandálias do Pescador.