quarta-feira, 2 de março de 2022

Em Suspenso

 


 Nestes últimos dias, andamos em bicos de pés. Não porque queiramos ser silenciosos mas porque estamos em suspensão.

Dois anos de pandemia, entre confinamentos, estados de emergência, ondas de grandes números e abrandamentos, orientaram os nossos passos, as nossas profissões, as nossas vidas. Ficámos suspensos do alívio das restrições, da inevitabilidade de apanharmos o vírus e da dúvida do 'será que acabou?'

Nesta maré de perspetivas, eis que o mundo se confronta com a insanidade de um líder político. Conflitos antigos desaguaram numa invasão de território, de fuga das populações, de convergência de atitudes das nações.

Vladimyr Putin, o todo poderoso russo, diz que a Ucrânia não é um país, não tem história e que só existe porque é um produto russo. Lesinsky, o presidente ucraniano eleito democraticamente pelos seus conterrâneos, reivindica a liberdade de ser um país democrata e pensar pela sua cabeça. 

Começou a lavra de um insano político e a defesa da colheita  de um jovem chegado à política há pouco tempo mas carregado de vontade própria.

A incursão planeada para durar 3, 4 dias, 5 no máximo, encontrou uma resistência popular e uma ajuda europeia nunca vistas.

Estamos em suspenso. Para dar um fim à guerra, o insano russo carregará no botão nuclear? Passaremos de espectadores ansiosos a vítimas sem esperança?

 


 



domingo, 17 de outubro de 2021

O Poder da Palavra

 

 Você fala sozinho? Especialistas garantem que o hábito é normal e faz bem à  saúde

 

É incrível o poder da palavra.
A Palavra é o que nos distingue do resto da criação divina. Pela palavra comunicamos.
Existem três categorias de palavras: as que se pensam, as que se dizem e as que se calam; e dentro destas existem outras variedades. As palavras são como as árvores. Ramificam-se.
Como diz o poeta, há palavras que nos beijam como se tivessem boca.... São palavras de simpatia, amizade, compreensão, carinho, paixão, amor. Precisamos delas para nos sentirmos vivos, para perspetivarmos o mundo, para nos posicionarmos na vida, para estarmos bem com os outros e connosco próprios.
Há palavras que gritam. Cada pensamento, som ou gesto é raiva e ódio. Não precisamos delas pois conflituam-nos de tal maneira que baralham a lucidez e o discernimento.
Também há as palavras inúteis, não porque a inutilidade resida na palavra, mas porque não são necessárias para os momentos. A extrema alegria ou a morte tornam-nas inúteis.
Inúteis são, também, as que tentamos dizer a alguém que cala as palavras. Quem cala palavras não gera comunicação. Produz reticências, silêncios , dúvidas.
Por fim há as palavras mal-entendidas. Podem-se pensar, dizer ou calar mas não cumprem a missão de comunicar. Partem do seu destino com uma intenção mas chegam irreconhecíveis.
São tão perigosas como incontroláveis. Perigosas porque distorcem a realidade e arruínam relações. Incontroláveis porque quando partem de nós carregam o nosso sentir, levam instruções expressas, mas confundem-se e transmutam-se, devido a factores externos.
Infelizmente, parece ser esta última variedade a que mais existe por aí. Utilizamos uma amálgama de palavras, das várias categorias e variedades e não nos damos conta da importância da escolha. Os factores externos somos nós próprios. Uma atitude impensada, um gesto deslocado e toda a palavra que de nós sai fica mirrada, seca, espalhada no deserto da incompreensão.
O que nos distingue do resto da criação divina torna-nos, às vezes, infelizes.


terça-feira, 12 de outubro de 2021

Acertos Definitivos

 Ficheiro:Inter-grav.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre

 

Li algures na internet que:

« Em 1582, durante o papado de Gregório XIII (Ugo Boncampagni, 1502-1585), o equinócio da Primavera já estava ocorrendo em 11 de Março, antecipando muito a data da Páscoa. Daí foi deduzido que o ano era mais curto do que 365,25 dias (hoje sabemos que tem 365,242199 dias). Essa diferença atingia 1 dia a cada 128 anos, sendo que nesse ano já completava 10 dias. O papa então introduziu nova reforma no calendário, sob orientação do astrónomo jesuíta alemão Christopher Clavius (1538-1612), para regular a data da Páscoa, instituindo o Calendário Gregoriano.

Essa reforma foi  publicada na bula papal Inter Gravissimas em 24.02.1582, e determinava que fossem tirados 10 dias do ano de 1582, para recolocar o Equinócio da Primavera em 21 de Março. Assim, o dia seguinte a 4 de Outubro de 1582 (quinta-feira) passou a ter a data de 15 de Outubro de 1582 (sexta-feira). »

 

Não sendo nova para mim (e para outros) esta informação, dou comigo a pensar como seria, nos dias que correm, acontecer tal facto.

Provavelmente era o caos, a começar pelas programações das TV's no que a telenovelas diz respeito. Depois seguir-se-iam outras "chatices", nomeadamente, para os aniversariantes desses desaparecidos 10 dias, que ficariam privados das prendas e das festas, já para não falar dos casamentos ou dos divórcios marcados antecipadamente para essa data. E os cheques a descontar nesse intervalo de tempo? Lá se iam os pagamentos e os recebimentos. A falta que esses dez dias nos iriam fazer era qualquer coisa do além!

Só num pormenor estariam na proporção correta: no corte do ordenado - menos dinheiro ficaria a condizer com menos dias de trabalho! É pena que este encurtamento tenha sido há 500 anos e para um mês só.

Há 5oo anos, estas deslavadas linhas estariam a navegar nas profundezas do Tempo, afundando-se na sua não-existência.

  


quarta-feira, 1 de setembro de 2021

A Comunicação Incomunicável

 Por ter uma opinião muito semelhante, aqui deixo o registo de António Barreto sobre as nossas televisões:

“É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.

Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal.

Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.

Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.

Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.

É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. Arte? Um director-geral chega.

Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.

A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.

Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.

A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos *papagaios no seu melhor!

Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão.
*Papagaios não, chilreada de periquitos sim!*”

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Censos e o Planeamento (ou a falta dele)

 Quando há uns anos precisámos de creche para as crianças, ia-se dando uma tragédia familiar. As públicas eram muito poucas e os critérios de admissão tocavam as raias do absurdo, e as privadas justificavam os preços também absurdos com todas e mais algumas atividades para entreter as criancinhas. Perante esta contingência, desenhou-se a hipótese do despedimento da mãe e o apertar do orçamento familiar. Felizmente apareceu uma ama particular, falha de certificados ou licenças, mas carregadinha de amor e bom senso.

Lembro-me que nessa altura, o Algarve apresentava uma alta taxa de natalidade que justificaria um planeamento a longo prazo das autarquias relativamente a esta questão dos filhos e dos casais trabalhadores. Pouco se fez.

Agora temos resultados dos censos e sabemos que a nossa população levou um rombo enorme. Falta gente, muita gente. 

Sei que as autarquias têm gabinetes que estudam estes dados, e acima delas está o governo que também deve ter gabinetes semelhantes. Então é altura de se avançar com um planeamento estrutural, de vistas largas e ambiciosas, até porque está a chegar dinheiro fresco da Comunidade e é imperativo que ele seja bem empregue, desde a nascente até à foz. Proporcionar aos casais jovens habitação de baixo custo e  aproveitar estruturas existentes para fazer surgir creches e jardins infantis, seriam exemplos de itens a serem considerados. 

Planear o futuro é preciso, e fazer chegar a todos o que todos necessitam, sem que a burocracia fale mais alto e esfarrape o a acesso a esse futuro.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Para Não Dizer que Ninguém Avisou

 TOP 10 praias no Algarve - Nós na Trip

 Li num grupo de Algarvios. E não é que têm toda a razão?

 

CONSELHOS BÁSICOS E ESCLARECIMENTOS PARA TURISTAS TUGAS NO ALGARVE:
 
 
- O Algarve é território Nacional.
- As pessoas que trabalham no Algarve também sabem o que é ir de férias.
- Praticamente todas as pessoas que vivem no Algarve já foram a Lisboa, grande parte delas já foi ao Porto e muitas delas a França. (Esqueçam essa do "LÁ")
- As regras e normas no Algarve são para cumprir como em qualquer parte do Pais ou Mundo.
- No Algarve também fica bem dizer 'bom dia' ou 'boa tarde' em vez de "tem Wi-Fi?"
- Circular nas Estradas do Algarve em excesso de velocidade pode dar multa, mas se andar a 10 ou 20 k/h numa Nacional sem razão aparente a encagalhar isto tudo, não lhe dá bônus.
- O funcionário que está atrás do balcão ou que lhe traz o prato à mesa, não é nem mais nem menos do que você, só que está a trabalhar. (Não confundir com escravo sff)
- Quando for às compras não necessita de levar a família toda atrás até à quinta geração (fora os amantes). Só vai causar "peixeirada" e não facilita em nada, a não ser que vá comprar duas toneladas de latas de atum.
- Se está de férias não as torne num inferno, descontraia e não leve a merda do tempo à procura de defeitos para criticar, concentre-se no que existe de bom ao seu redor.
 
PS: Ahhh... não se diz "Estive na Quarteira ou na Vilamoura", mas sim "ESTIVE EM QUARTEIRA ou EM VILAMOURA", metam esta merda na cabeça de uma vez por todas.
 
 
Boas Férias para todos!

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Antónimos da Economia

 

Rico vestido de branco :- Médico
Pobre vestido de branco:- Padeiro
 
Rico a pescar :- Lazer
Pobre a pescar :- Necessidade
 
Rico a subir um monte :- Montanhista
Pobre a subir o monte :- De volta a casa
 
Rico num restaurante :- Cliente
Pobre num restaurante :- Empregado
 
Rico barrigudo :- Bem sucedido
Pobre barrigudo :- Cirrose
 
Rico a coçar a cabeça :- A pensar
Pobre a coçar a cabeça :- Piolhoso
 
Rico parado na rua :- Peão
Pobre parado na rua :- Suspeito
 
Rico a conduzir um Mercedes :- Proprietário
Pobre a conduzir um Mercedes :- Motorista
 
Rico na loja :- "Eu compro."
Pobre na loja :- "Estou só a ver."
 
Rico a chorar :- Sensível
Pobre a chorar :- Piegas
 
Rico traído :- Adultério
Pobre traído :- Corno
 
Rico com dor de barriga :- Desarranjo Intestinal
Pobre com dor de barriga :- Caganeira
 
Rico bem vestido :- Empresário
Pobre bem vestido :- Corrupto
 
Rico de fato :- Administrador
Pobre de fato :- Morto
 
Lido no FaceBook